Sábado, Outubro 17, 2009

Verdade

A porta da verdade estava aberta, mas só deixava passar meia pessoa de cada vez. Assim não era possível atingir toda a verdade, porque a meia pessoa que entrava só trazia o perfil de meia verdade. E sua segunda metade voltava igualmente com meio perfil. E os meios perfis não coincidiam. Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta. Chegaram ao lugar luminoso onde a verdade esplendia seus fogos. Era dividida em metades diferentes uma da outra. Chegou-se a discutir qual a metade mais bela. Nenhuma das duas era totalmente bela. E carecia optar. Cada um optou conforme seu capricho, sua ilusão, sua miopia.
Carlos Drummond de Andrade.

Esta miopia entropica a cada qual remete a uma verdade. E a mentira do outro, é na verdade o contraponto a vontade deste. A verdade é de verdade para quem acredita na sua verdade. Mentira é a verdade de um outro em que não se dá fé.

Cada qual tem uma verdade para si? A que real vale a busca por uma verdade?

De verdade! Palavras são palavras, mesmo não crendo em verdades sempre buscamos por uma. E que se oponha a outra... a outra... a outra...

Domingo, Março 16, 2008

camiranga

Entre o incerto e o já sentido, há na certeza do medo uma dúvida maior... O por quê de tudo? Há uma vontade desesperada de consumir o dôce todo, até lambusar-se. Pois criança faminta e alvoroçada, já viu partir a coragem de pacientar a chegada lá no chão razo.
A lágrima que caiu, por vezes de consequência de outrora... ah, deixou brotar, mas a água secou e berrou. De hoje em diante sobrou apenas o vão buraco, o torto galho e um vago ninho que no deserto não tem frutos, e é seco também.
O sertão já choveu o suor do retirante. E retirando pra lida, não se teve um só grão, um só botão que se desprendeu da roupana velha.
A camiranga já esteve pertiiiinho... bicando as beiradas dos sonhos... Hoje! A lua cheia já canta a paz que se quis, mas ainda há alguma cinzenta que a transpassa, deixando a desgraça camiranga de vez, ainda vir beliscar sonhos.
Dum sorriso sincero, que o sol queimou e que a jornada pesou, fez da caminhada a batalha de todo dia. O machado, a enchada e o torniquete, a custo sempre foram vistos. E por vez, o sorrir ligeiramente assemelhava-se ao choro. Já se via a rugas. E as bicadas da malvada cabeça-vermelha, fizeram com que sonhos, já corressem dos sonhos, fossem pros sonos e pra nunca mais voltar.

Terça-feira, Outubro 02, 2007

Em questão, sem questão...

Palhaço, por que você não muda?
Ann...?
É, por que não tenta ser outra coisa?
Ser o quê?
Não sei, apenas não ser palhaço!
Certas naturezas não mudam... mesmo forçadas...
Por quê?
Por quê? Ah, porque é natural...
Como assim?
Se um filhote de cachorro, se porventura ficar orfão e vir a ser criado e amamentado por uma gata e crescer entre gatos, por mais que atribuam a ele a natureza dos gatos, ele nunca virá a ser um gato... Pois sua natureza é canina e não felina...
Mas se ele agir como cachorro entre os gatos, eles não vão aceitar ele!
...?
Palhaço?
Humm..?
Por quê você não muda?
Não dá... eu já tentei...

Domingo, Fevereiro 18, 2007

Bons elementos, mas admiravéis apenas por fazerem parte de uma cadeia...



Que pena as boas filosofias na maioria das vezes não saem do papel. Acabam por ser igual ao sapo que não se tornou príncipe: apenas admirável pela sua boa função. No caso apenas para uma cadeia "alimentar"...

Sábado, Fevereiro 10, 2007

...é hoje

Hoje é o primeiro dia do resto de nossas vidas. Para uns pode ser que seja o ultimo, para outros um recorde, um marco. Talvez o começo de tudo...
Hoje, é como mais um dia da semana, do mês e do ano...
Hoje, pode até significar algo hoje...
Hoje, pode ser um tempo para mudanças, ou lembranças...

Hoje, pode ser que faça Sol no dia de alguém.
Hoje, pode ser que haja um brilho ou uma luz que defina o dia de hoje como especial...
Hoje, pode ser que seja diferente. Mas hoje, hoje é um dia qualquer, de uma hora qualquer. Comum como qualquer outro dia. Como ontem ou semana passada, com a diferença de que é hoje...
Ontem, esperei por hoje...
Ontem, pensei como poderia ter sido hoje...
Ontem, preparei o hoje varias vezes, ensaiei ontem como faria hoje...
Mas hoje, já não vi, nem senti e muito menos me comportei como ontem...
Hoje, me lembrei de ontem como seria hoje...
Hoje, desejei que fosse como ontem...
E hoje chegou. Logo já se foi, como ontem se tornando o amanhã, sendo hoje...
Hoje foi comum sim. Mas com a breve certeza de que hoje tenha tido seus motivos para momentos muito especiais...

Sexta-feira, Setembro 01, 2006

enquanto encontro encanto em contos...

No picadeiro o palhaço se torna existente. Da poesia do olhar e a inocência, ele segue no plano de extender o cotidiano em algo que vai além do concreto, palpável e visível: ele subverte. E na subversão como ela é, no encontro se trava a luta: cômodo vs inadequado.
Arquétipo sabído que é, o palhaço não guerreia por dor. No desafio, no duelo, se estendem em passos largos um olhar para um horizonte que o sol não se põe. Sente na brisa um vendaval, que dança rondando pra brincar.
Sua arma é não armar, é amarrar no ato a ação ao momento. É desvendar, é encantar num cantar ou num olhar, um coração...Nisto a fantasia se chama "encontro". E neste, há contos. Há pontos de origens que só a essência mais pura pode explicar o que dá vida à personagens lúdicos, por vezes lunáticos... fantásticos... dramáticos... pensando bem, não deve mesmo é haver explicação lógica para os encontros, e sim uma certeza mágica que reuni ali
prum chá da tarde, vida e morte a cantarolar no mesmo quintal...

(subversão s.f.1 revolta contra ordem estabelecida.2 perturbação)

Quarta-feira, Junho 07, 2006

Retratos da Cochia...

... um singelo sorriso faxina a sujeira de qualquer negresco coração e pensamento que tende a se inclinar. Então se replica cada gesto de amor, pois é na cochia do dia-a-dia que se vê o espetáculo...

queria ser gaivota e ver entre a cochia os planos que se revelam...